Original Kids | Aprendendo a errar (ou: como um marshmallow pode nos mostrar que precisamos perder a nossa mania de perfeccionismo).
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Aprendendo a errar (ou: como um marshmallow pode nos mostrar que precisamos perder a nossa mania de perfeccionismo).

Aprendendo a errar (ou: como um marshmallow pode nos mostrar que precisamos perder a nossa mania de perfeccionismo).

 

Por Carolina Corseuil

Há algum tempo eu venho desenvolvendo desafios rápidos no início das oficinas que estimulam o pensamento divergente – o pensamento da criatividade. Alguns desafios eu invento (que as vezes dão certo e as vezes não, vou compartilhar essas experiências mais pra frente) outros eu me baseio em métodos criados por pensadores, professores, artistas e designers que estão desenvolvendo experiências incríveis em educação.

Já fazia um tempo que eu tinha ouvido falar do Marshmallow  Challenge, desenvolvido por  Tom Wujec da Autodesk, empresa líder em tecnologia 2D e 3D para as indústrias de design, engenharia e entretenimento.
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O desafio é muito simples: Com 20 palitos de macarrão, uma fita crepe, um barbante e um marshmallow, um grupo de 4 pessoas, em 18 minutos, tem que construir a estrutura mais alta possível, o marshmallow tem que estar na ponta e a estrutura tem que ficar em pé. Esses exercícios são muito divertidos, mas o maior valor que eles oferecem é que aprendemos a partir da experiência. Primeiro vem a prática, depois o aprendizado. Essa é forma original como aprendíamos quando éramos crianças. Colocar a mão no fogo queima. Rasgar as folhas da agenda da mamãe vai deixar ela brava (risos), etc.

Afinal, as vezes lemos livros, ouvimos palestras, conselhos, receitas, mas só aprendemos de verdade na prática (normalmente depois de errar bastante). As conclusões e lições sobre esse desafio já são dadas no site  – você pode saber mais sobre ele aqui www.marshmallowchallenge.com  – e entre elas estão a importância de prototipar e de criar em equipes. Mas acredito que cada vez que praticamos esse exercício, em diferentes contextos e lugares do mundo,  podemos tirar novas lições.

Esse teste foi aplicado com pessoas de todas as idades no mundo inteiro, e o mais curioso é que depois dos arquitetos e engenheiros, são as crianças do jardim de infância que se saem melhor! O que isso significa? Significa que as crianças, por não se preocuparem tanto com o resultado final, testam e brincam mais vezes, percebendo o que não funciona e o que funciona. Depois dos 18 minutos, os adultos que ficaram todo o tempo montando a estrutura, colocam o marshmallow na ponta e a estrutura cai. As crianças já erraram mais vezes e perceberam isso no início, por isso conseguem fazer uma estrutura mais estável. Não é impressionante?

Passamos muito tempo tentando lapidar uma ideia para ela ficar perfeita (o que, convenhamos, nunca acontece), ao invés de jogar ela no mundo como está, testar várias vezes, errar várias vezes e, consequentemente, evoluir mais rapidamente.

Mas a lição mais valiosa que esse desafio ensina, é que sozinhos, seria impossível construir a estrutura em 18 minutos. Precisamos uns dos outros para chegar mais longe. E isso ficou muito claro para todos. Depois do desafio conversamos sobre o que aprendemos e todos estavam muito interessados em compartilhar a sua própria experiência. Eu percebo a cada dia esse processo de fazer, errar, acertar, refletir e aprender de verdade surte um efeito muito forte – nas crianças e e mim.

Espero que as minhas experiências, conclusões e ideias possam ajudar um pouquinho nessa missão que todos estamos de construir um mundo melhor, com pessoas mais plenas, que reconhecem o valor dos outros e o seu próprio valor.

 

 

 

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